Nas águas, com Santa Teresa D’Ávila, 170 anos de evangelização!

As águas do Rio Tocantins marcaram a história da Igreja Católica na Região Tocantina e a cidade de Imperatriz.
São 170 anos de evangelização. Diz o Livro do Gênesis que o paraíso era banhado por 4 rios. (Gn 2,14) Rio, água. Penso que quase todas as pessoas tem uma história para contar sobre a água, um rio.

As águas marcaram também minha vida. Eu nasci à beira do Lajeado Capivara, no Rio Grande do Sul, ali aprendia nadar deste menininho. Como se diz: “nadava como um peixinho.” As águas marcaram a história do catolicismo no Brasil, os rios por onde passaram os missionários, adentrando o país, semeando a boa nova.

Águas onde foi encontrada a Mãe Aparecida, encontrada na rede dos pescadores, e devolveu-lhes a alegria com a grande pesca e a esperança de não se sentirem sós, abandonados. Águas que banham Grajaú, Barra do Corda, Colinas, Caxias, Coroatá, Pedreiras, Bacabal, Viana, Alto Alegre do Pindaré, Pinheiro, Pindaré Mirim…
Águas que às vezes machucam, alagam, destroem sonhos.

Águas do inverno nordestino, esperadas para plantar e colher abóbora, melancia, milho, feijão, quiabo, maxixe… Águas que trouxeram Frei Manoel Procópio, a Bíblia e a Imagem de Santa Teresa D’Ávila. Águas que trouxeram os carmelitas, os capuchinhos e que regaram a semente da vocação de tantos sacerdotes nativos, autóctones, religiosas e religiosos. Águas do batismo que despertaram e fizeram dar o fruto da vocação de leigos e leigas, que consagraram e consagram suas vidas à evangelização, a organizar pastorais e comunidades, a estruturar pastorais sociais para estender a mão a quem precisa.

O Rio de Água Viva que é Jesus e que despertou a vocação profética de Padre Josimo Tavares, que lhe deu força e coragem de derramar seu sangue, como Jesus, pela causa das quebradeiras de coco e pequenos lavradores: “Morro por uma causa.” Água benta que refrigera e consola os devotos e devotas que caminham em nossas igrejas, fecundando as sementes da Palavra proferida em nossas celebrações.

Água que abençoa as casas em nossas visitas missionárias, relembrando as antigas missões e as Santas Missões Populares. Água que estará presente nas 33 semanas missionárias, na última semana de outubro deste ano, levando bênção e esperança para milhares de famílias que serão visitadas em toda diocese de Imperatriz. Copo de água que não será esquecido, quando dado a um missionário, por que é seguidor de Jesus.

Água que bebemos nos dias de calor, água com a qual nós maranhenses nos banhamos 2,3, 4 vezes por dia. Água do perdão que lava nossas almas, renova nossa esperança e nos anima a caminhar. Água que batizou Jesus, Santa Teresa D’Ávila, Frei Manoel Procópio e cada um de nós. Água que continuaremos bebendo, distribuindo e levando, como Rio de Água Viva, Jesus, ao coração, à vida e às famílias de nossa gente.

Água que quando sai do Templo, como diz o Profeta Ezequiel capítulo 47, vai aumentando de volume, passa pelos tornozelos, canela, joelho, cintura, até mergulharmos neste Rio de águas vivas. Água que por onde passa gera vida, ervas medicinais, ‘vacinas’, saúde, paz. (Ez 47).

Água que queremos continuar a levar, evangelizando, e escrevendo a história de 171, 180, 200 anos de evangelização. Água que gera fraternidade, como no suco que tomamos juntos, no café ou no chimarrão. Água que é partilhada nas romarias, que sustenta a coragem dos romeiros de Padre Cícero, do Canindé, de Nossa Senhora Aparecida, de Santa Teresa D’Ávila. Como nas duas romarias que participei no dia 12, caminhando 27 km com o povo.

Sim, a vida é uma romaria, uma travessia. É saber que a água que nos sacia, jamais se distancia, jamais nos abandonaria, pois é o próprio Messias.( Mt 28, 20) Água que gera solidariedade com os acolhidos da Fazenda da Esperança, da Vila João XXIII, da Pastoral Carcerária, das Pastorais Sociais, das Hortas Comunitárias, da Casa Familiar Rural, da Ascamaris, da Pastoral do Povo da Rua: “Dai-lhes vós mesmos de comer.”(Mc 6,37)Lema da Campanha da Fraternidade 2023.

Água da unidade com Papa Francisco, com a Igreja Católica, com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A grande característica dos grandes santos é a fidelidade e obediência a Deus, à Igreja, ao papa e aos bispos locais. O papa Francisco nos convoca a sermos e construirmos uma Igreja Sinodal, em comunhão, participação e missão. A diocese de Imperatriz iniciará seu Sínodo Diocesano no dia 5 de novembro, na assembleia diocesana que reunirá mais de 1.200 lideranças.

Queremos caminhar juntos, e, parafraseando o que disse Dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida, precisamos vencer o dragão do ódio, da mentira, da violência, das armas, da fome. Nós queremos construir pontes de diálogo, de perdão, de respeito, de paz: “Porque Cristo é a nossa paz.( Efésios 2,14)

Por isso, como São Francisco queremos orar: Ore comigo:
Senhor, fazei-me um instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.

Senhor, como a Samaritana, te pedimos neste dia: “Senhor, dá-nos sempre desta água.(João 4,15)
O primeiro jardim era banhado por 4 rios. (Gn 2,14)

A água que saciou a sede de Madalena, no novo jardim, no dia da ressurreição, é Jesus, o rio de água viva. Que diz a Madalena: “Vai dizer aos meus irmãos para me encontrar na Galileia.”(João 28,10) Madalena, a primeira missionária do ressuscitado. E nós também queremos beber a água do testemunho, de que nos fala o evangelho: “Quem der testemunho de mim, darei testemunho dele diante do Pai.” (Lucas 12,8) Por isso, Senhor, te pedimos:
Dá-nos a água da espiritualidade profunda, que nossa padroeira Santa Teresa D’Ávila nos ensinou a procurar e beber, de que só Deus basta, para que tenhamos a coragem de singrar os rios, de ‘avançar para água mais profundas’(Lc 5,11) e continuar a escrever esta história pelos próximos 190, 200 anos de evangelização nestas terras tocantinas.

Para concluir, te convido a orar comigo:
‘Nada te perturbe.
Nada te espante.
Tudo passa.
Deus não muda.
A paciência tudo alcança.
Quem a Deus tem, nada lhe falta.
Só Deus basta.’

Que assim seja.
Amém.

Por Dom Vilsom Basso, SCJ
Homília por ocasião do encerramento do festa da Padroeira da Diocese, dia 15/10/2022

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