É preciso reacender a chama missionária, porque agora serão outros 500

Dom Vilsom Basso, na Missa em Seu Lar

Dom Vilsom Basso, SCJ

Bispo de Imperatriz – MA

 

Em 19 de março de 2020, assinamos protocolos diocesanos, diante da Pandemia que havia começado, suspendendo as celebrações presenciais. E palavras chaves que foram usadas: serenidade, seriedade, responsabilidade e o princípio fundamental: a vida em primeiro lugar.

Dias difíceis, desafiadores, provocadores de novas possibilidades. As lives tornaram-se onipresentes, diárias, com a preocupação de formar, rezar, cuidar das pessoas, dos idosos, doentes, vulneráveis.

Foram muitas mortes, sem despedidas, sem chorar o luto. Todos temos um familiar, ou amigo ou conhecido que partiu. Hoje somos bem mais conscientes de nossas fragilidades.

Muitas certezas viraram cinzas.

Na metade do ano passado, as dioceses recomeçaram as celebrações presenciais, com uso obrigatório de máscara, medição de temperatura, distanciamento social, álcool gel.

As pessoas foram retornando às igrejas. É bom relembrar que, em abril-maio de 2020, houve pessoas que fizeram abaixo-assinado virtual pedindo “devolvam as nossas missas”, das quais, muitas ainda não retomaram o convívio eclesial.

Nestes 500 dias de pandemia, convivemos com o desafio de continuarmos firmes na fé, alegres na esperança, corajosos na missão, generosos na caridade.

E por falar em caridade, com a fome crescendo de forma exponencial, a CNBB lançou o projeto “É tempo de cuidar”, e milhões de pessoas receberam ajuda solidária; o projeto continua urgente e necessário.

A pandemia nos fez retornar à experiência das primeiras comunidades, da igreja nas casas, a família como igreja doméstica, acreditando nas palavras de Jesus: “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei no meio deles”. (Mt 18,20)

O pilar da ação missionária inspirou várias iniciativas, inclusive a instituição e envio de Missionários Digitais. Nós fizemos a experiência de rezar diariamente o terço e a missa nas redes sociais, durante 500 dias. Nos ajudou a caminhar e a manter viva a chama missionária.

E pensar que, em 2021, veio a segunda onda e chegamos a 550 mil mortos, quase 10 mil no Maranhão, 984 em Imperatriz. Uma tragédia anunciada. O Brasil tem menos de 3% da população mundial e mais de 10% dos mortos pela Covid-19 no planeta, fruto do negacionismo e atitudes irresponsáveis.

As vacinas, que foram chegando lentamente, trazem esperança, coragem de seguir adiante.

Estes são tempos de fazermos muitas perguntas.

Que aprendizados nos ajudarão a abrir novas portas? O que acontecerá nos próximos 500 dias? Como será trabalhar a evangelização das juventudes neste Ano da Juventude na Igreja do Maranhão, com a Romaria da Juventude em setembro de 2022, em Carolina e a Jornada Mundial em Lisboa, em 23? Que novos caminhos missionários serão compartilhados no Congresso Eucarístico Nacional, em Recife, em novembro de 22? E as novas diretrizes em maio de 23? As CEBs, as Pastorais Sociais, o Intereclesial de julho de 23? A sinodalidade e o sínodo?

Estes são tempos de acreditar que debaixo das cinzas há brasas.

Acreditamos que o texto de 1Reis 19, 1-8 seja boa iluminação para este momento de retomada que vivemos. Elias, depois da batalha dura que vivenciou, está no deserto, cansado, exausto. Ao acordar vê um pão assado, debaixo da cinza, e água. O anjo do Senhor lhe diz: “Levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer”. (v.7)

Na travessia deste deserto pandêmico, sigamos escutando, refletindo, rezando, aprendendo e nos alimentando, porque debaixo das cinzas estão as brasas do fogo missionário.

 

O que fazer para reacender a chama missionária? Esta pergunta é importante, porque agora serão outros 500 dias.

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